História de Ibiá

Por Cassiano Roberto Xavier Couto
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Intercalando Serras e Chapadas, Surge Terras Altas

A palavra Ibiá, segundo pesquisadores, tem suas origens no tupi-guarani, língua de origem indígena e à qual são atribuídas três versões de significados muito próximos: cabeceiras altas, chapadas altas e serra cortada.

Ibiá está localizado na macro-região IV, que é composta pelo Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e na micro-região 179 que é composta pelo Planalto de Araxá, Centro- Oeste do Estado de Minas Gerais.

Possui uma extensão territorial de 2.701,54 quilômetros quadrados de área, limitando-se com o Município de Araxá a Oeste, com Campos Altos a Leste, com Medeiros ao Sul, com Perdizes a Noroeste, com Pratinha a Sudeste, com Rio Paranaíba a Nordeste, com Serra do Salitre ao Norte e com o Município de Tapira ao Sul. Hoje com uma população média de aproximadamente 22.069 habitantes, Ibiá tem um eleitorado de 16.615 eleitores, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Minas Gerais.

 

Ibiá – Do Rancho de Tropeiros ao Município de Agora

Ibiá teve suas origens mais remotas, em um pequeno estabelecimento comercial, muito comum no princípio do século XIX, denominado de “rancho de tropeiros”, situado às margens do Rio Misericórdia, no mesmo ponto em que garantem historiadores, estivera antes Bartolomeu Bueno da Silva, o “Anhangüera”, durante o ciclo das bandeiras. Estabelecimento em que seus proprietários alugavam pastagens para o rebanho das comitivas, bem como mantinham um pequeno armazém para a venda de cereais, fumo e demais utensílios utilizados nas longínquas viagens.

Nas primeiras décadas do século XIX, as comitivas que saíam do Rio de Janeiro e de São Paulo, conduzindo cargas e gado para o oeste brasileiro, tinham necessariamente que passar pelo local onde hoje, encontra-se localizado o atual município de Ibiá. Ditas comitivas, vinham percorrendo os caminhos da antiga “Estrada Real”, também conhecida como “Salineira”, fazendo a interligação entre as localidades de Formiga, Bambuí, Pratinha e São Pedro de Alcântara, e daqui tinham acesso aos sertões goianos, através da localidade, onde atualmente se encontra a cidade de Catalão, já no atual Estado de Goiás.

As primeiras referências formais conhecidas, segundo o historiador Waldemar de Almeida Barbosa em seu “Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais”, remontam aos idos de 1.818, apontando a existência de um povoado, batizado inicialmente de São Pedro de Alcântara, da mesma forma que segundo relato do Cunha Matos, consubstanciado em que no ano de 1.823, existiam no arraial, cerca de 34 casas.

 

Com Promessa de Fazendeiro Surge a Primeira Capela

O terreno da primeira capela foi doado por um grande fazendeiro da época e morador de São Pedro de Alcântara, em cumprimento a uma promessa, tendo como patrono o franciscano São Pedro de Alcântara, santo padroeiro por muitos anos, também do Brasil e da América Latina.

Na data de 10 de outubro de 1.882, o povoado de São Pedro de Alcântara, por força da Lei Provincial n. 2.980, foi elevado à categoria de Distrito, ficando então integrado ao município de Araxá, condição que se manteve até o dia 07 de setembro de 1.923, quando foi promulgada a Lei Estadual n. 843, criando-se o município, passando a chamar-se Ibiá, sendo instalado oficialmente no dia 24 de janeiro de 1.924.

Ibiá foi elevado à categoria de Termo Judiciário na data de 01 de março de 1.936, e é sede de Comarca desde o dia 15 de novembro de 1.948, com jurisdição sobre o Município de Pratinha, desde de referida data, até os dias atuais e também do Município de Campos Altos desde a fundação até o ano de 2.002, quando o Município de Campos Altos, passou também a sediar comarca.

Ibiá teve seus limites territoriais ampliados pela Lei n. 1.039, de 12 de dezembro de 1.953, assumindo desde então como seus Distritos integrados, as localidades de Argenita e Tobati, situação que se mantém até os dias atuais.

 

Fundadores do Arraial de São Pedro de Alcântara

Os primeiros moradores de “Terras Altas”, foram os índios “arachás”, palavra também originária do tupi-guarani, que tem por significado: “aqueles que habitam lugar alto, de onde se avista o dia”, com o advento da colonização os primeiros moradores da região, considerados fundadores do arraial de São Pedro de Alcântara foram: Antônio Alves da Costa, Padre Ananias Tobias de Aguiar, Antônia Camburé, Leônia Coelho de Araújo Silva (Dona Tatá), Manoel Joaquim Braz, Luiz Broca, Ananias Ferreira de Aguiar, Cincinato Ferreira de Aguiar e Osório Xavier de Mendonça.

Dois dos pioneiros de São Pedro de Alcântara possuíam o mesmo nome, Antônio Alves da Costa, sendo que o primeiro era um grande proprietário de terras da região, que tinha como sede a Fazenda Cotovelo, ainda hoje existente no município, o segundo, afilhado e criado pelo primeiro, era considerado um homem de cultura incomum para sua época, tendo sua bagagem de conhecimentos em muito auxiliado para o desenvolvimento do arraial.

 

Grandes Pioneiros

O Padre Ananias Tobias de Aguiar foi o primeiro vigário da Paróquia São Pedro de Alcântara. Também foi pioneira em sua função de parteira Antônia Camburé, Leônia Coelho de Araújo Silva, a Dona Tatá, que veio de São João da Barra, no Rio de Janeiro a convite de Antônio Ferreira de Aguiar, para se tornar a primeira professora pública do então Distrito de São Pedro de Alcântara.

Manoel Joaquim Braz foi o primeiro farmacêutico e exerceu por longo tempo a função de Juiz de Paz no Distrito. O português Luiz Broca foi o pioneiro do comércio e Ananias Ferreira de Aguiar, o primeiro chefe de polícia do Distrito, com autoridade semelhante à dos atuais delegados de polícia.

Cincinato Ferreira de Aguiar foi escolhido para coordenar os trabalhos de arrecadação de receita para a construção da Igreja de São Pedro de Alcântara. Osório Xavier de Mendonça começou como comerciante, mas abandonou a profissão para casar-se com uma jovem fazendeira.

 

Dos Trilhos de Goiás, à “Capital Nacional do Leite”

A consolidação do crescimento de Ibiá, veio em 1.913, com a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Goiás, empreendimento que proporcionou a criação de milhares de empregos, aquecendo o comércio local e dinamizando o transporte regional, trazendo progresso para todos os setores.

Em 1.964, a empresa suíça Nestlé inaugurou na cidade uma fábrica de leite em pó, criando mais empregos e gerando um aumento significativo na produção do leite, não só em Ibiá, como em toda a região. Desde então, Ibiá é conhecida como a “Capital Nacional do Leite”, título esse, que mesmo após a entrada no município de outras culturas, se mantém até os dias atuais, devido à grande produção leiteira em todo o município.

 

Potencial e Realidade Econômica do Município de Ibiá
Por Edson Freitas

Localizado em área estratégica, o município de Ibiá tem muito a oferecer a empresários interessados em realizar grandes negócios. Proximidades de mercados consumidores, facilidade de transporte rodoviário e ferroviário, amplo sistema hidrográfico, clima favorável e solos férteis são atrativos para sucesso de empreendimentos.

Quando o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informa, que no ano de 2.005, o município de Ibiá produziu 104.428 milhões de litro de leite, tornando-se o maior produtor nacional; quando a FJP – Fundação João Pinheiro informa que no ano de 2.004, o município foi classificado em 10o lugar de Minas Gerais, em PIB – Produto Interno Bruto Agropecuário, fica demonstrado que o município tem uma economia de grande expressão no cenário regional e mesmo nacional.

No setor agrícola, destacam-se as lavouras de batata, milho, feijão, café, soja e a cana-de-açúcar, todas com excelentes índices de produtividade. O queijo tipo “Minas”, produzido artesanalmente, é considerado o de melhor qualidade, conforme demonstrado em concurso estadual realizado em 2.007.

O setor industrial apresenta a Fábrica Nestlé, produtora de leite em pó desde 1.965. Esta, apesar de destinar quase toda a produção para exportação, contribui significativamente para a elevação do PIB deste setor da economia, já que a renda líquida enviada ao exterior compõe os cálculos do produto interno do município. A primeira usina de álcool de cana foi implantada recentemente e já está em franco processo de produção. No setor Sul da área urbana, o Distrito Industrial fica próximo às rodovias BR – 262, MG – 187 e MG – 235, além do ramal ferroviário anexo.

Outra área bastante promissora para exploração econômica é o turismo. O município oferece magníficas cachoeiras, fazendas centenárias, sítios arqueológicos indígenas e escravistas, além de eventos culturais que movimentam a cidade e região.